Herbário Serigráfico

2010

As questões que este trabalho apresenta se iniciou com o trabalho com um material relativamente de “fácil” acesso: pó de cupim encontrado no Instituto de Artes. Inicialmente era utilizado uma chapa com tinta branca ou transparente. Depois, era derramado o pó de cupim na placa e essa era colocada, junto com um papel úmido, na prensa cilíndrica. Diversas experiências foram feitas com essa técnica, e inclusive chegou-se a fazer experiências com café, sem resultados muito satisfatório. Porém, devido a outras circunstâncias, esta ‘pesquisa’ não foi além de meras experiências realizadas em horários de aula e alternativos nos atelier de gravura do IA.

Na disciplina de serigrafia porém, pude retomar esse trabalho e ampliar ele. Inicialmente retomei a idéia dos cupins, realizando duas gravuras com os resíduos. Essas duas gravuras eram com as imagens e os nomes científicos dos dois estados de vida do cupim encontrado no IA. Logicamente foi feita uma pesquisa sobre as diversas espécies de cupins existentes para encontrar quais são as predominantes e mais comuns encontradas na região do IA (leia-se o Estado, Pais, etc…). Entretanto este era um trabalho curioso e limitável demais, pois seria muito difícil encontrar resíduos de outros cupins para comparar e separar, afim de possibilitar a realização de outras gravuras com outras imagens de cupins. Fazer outras espécies com o mesmo material também foi considerado, porém uma outra idéia mais interessante e rica se tornou viável logo em seguida.

Conforme fiz da primeira vez, a utilização do café como matéria prima foi necessária. Porém desta vez, foi utilizado uma imagem da planta do café, semelhante às pranchas de botânicas que eram feitas antigamente, decidi ampliar para outros ‘produtos’, como canela, cravo, louro, cominho, coentro, açafrão, entre outros. Disso resultou a formação de uma série de gravuras com diferentes plantas e diferentes temperos, cores e, inclusive cheiros, onde podemos identificar, através da imagem, a planta (ou produto inicial) e, através da cor e do cheiro (as vezes), o produto (final) que esta planta gera (de modo comercialmente e gastronômico)

Podemos trazer a tona a questão da gravura tradicional (tinta, papel, impressões em séries, etc…), embora este trabalho/série não seja tão tradicional. Tendo em vista uma maior difusão do conhecimento, antigamente as pranchas eram “copiadas”, basicamente, através da técnica de litogravura e assemelhados (tendo em vista diversos processos híbridos de técnicas que possam ser utilizados para esse fim). No entanto, este trabalho, que de início tem esse mesmo intuito, se utiliza de outra técnica: a serigrafia (técnica mais popular e de grande alcance comercial hoje em dia, mais que outras técnicas de gravura, pela sua facilidade de manuseio e de possibilidades de grandes tiragens de cópias). Entretanto, junto a isso tem o papel da efemeridade, caso contrário ao que se pretende uma gravura com âmbito mais tradicional. O papel utilizado aqui, sulfite 300g, é um papel barato, pois não se sabe até o momento a vida útil destas gravuras feitas com materiais perecíveis de longo prazo. O cheiro, um dos principais ingredientes que dá ênfase a este trabalho é o primeiro a desaparecer (ou morrer). A probabilidade é de que a gravidade retire o resto dos ingredientes, caso fique exposta, assim como o manuseio excessivo do trabalho. Insetos, fungos, mofo, entre outras coisas, também podem interferir na imagem/trabalho final, colocando este em eterna mutação até a sua morte ou desaparecimento. (o que poderia ser uma nova possibilidade… um novo início de um novo trabalho causado pelo fim deste)

Com relação as imagens, elas foram retiradas/apropriadas de um site da internet que comercializa pranchas e livros antigos de botânica, tendo inclusive, uma lista com diversas plantas separadas por espécies/famílias. Estas plantas são, em geral, flores e frutas e mostram quase que toda a planta (ou sua estrutura principal – que é a primeira parte deste trabalho para exposição, onde somente há uma imagem com o nome científico logo embaixo) mas também outras etapas do desenvolvimento (como flores, frutos, sementes, etc – que deram origem a segunda parte do trabalho onde se realiza uma série de gravuras de uma mesma planta assim como a sua identificação pelo dicionário Caldas Aulete, de 1967, mantendo a tipografia e todas as formas de significação do mesmo

Caryophyllus aromaticus L. / Serigrafia / 60cm x 42 xm / 2010

Caryophyllus aromaticus L. / Serigrafia / 60cm x 42 xm / 2010

Cinnamomum zeylanicum Breyn / Serigrafia / 60cm x 42 xm / 2010

Cinnamomum zeylanicum Breyn / Serigrafia / 60cm x 42 xm / 2010

Paullinia cupana Kuth / Serigrafia / 60cm x 42 xm / 2010

Paullinia cupana Kuth / Serigrafia / 60cm x 42 xm / 2010

Coffea arabica / Serigrafia / 60cm x 42 xm / 2010

Coffea arabica / Serigrafia / 60cm x 42 xm / 2010

Piper nigrum L. / Serigrafia / 60cm x 42 xm / 2010

Piper nigrum L. / Serigrafia / 60cm x 42 xm / 2010

Capsicum annuum / Serigrafia / 60cm x 42 xm / 2010

Capsicum annuum / Serigrafia / 60cm x 42 xm / 2010

Laurus Nobilis / Serigrafia / 60cm x 42 xm / 2010

Laurus Nobilis / Serigrafia / 60cm x 42 xm / 2010

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